Entrevista com Tetsuo Fukuda

Tetsuo Fukuda nasceu em Tóquio e começou sua carreira como designer automotivo na Nissan. Mais tarde, fundou a A&F Corporation, onde projetou diversos produtos – dentre eles o famoso Shinkansen, o trem bala japonês. Hoje, ele atua como professor no Instituto de Tecnologia Avançada Industrial em Tóquio e também auxilia como professor visitante na Universidade Seika em Kyoto.

Tetsuo Fukuda nasceu em Tóquio e começou sua carreira como designer automotivo na Nissan. Mais tarde, fundou a A&F Corporation, onde projetou diversos produtos – dentre eles o famoso Shinkansen, o trem bala japonês. Hoje, ele atua como professor no Instituto de Tecnologia Avançada Industrial em Tóquio e também auxilia como professor visitante na Universidade Seika em Kyoto.

O imponente trem bala Shinkansen N700, uma das criações do mestre Fukuda, com o Mt. Fuji ao fundo. Dois ícones japoneses.
Fukuda, em sua carreira, teve muitos papéis, foi designer automotivo, designer industrial, ilustrador, professor de universidade, e a Copic sempre esteve com ele. Assim, buscamos entender um pouco da história e relação desse grande profissional com a Copic.
Copic: Quando você começou a usar os marcadores Copic? E o que motivou você a usá-los?

Tetsuo Fukuda: Eu comecei usando os marcadores Speedry Marker (o primeiro marcador feito especialmente para designers, criado em 1969, veja aqui), considerado o antecessor da Copic. Antes disso, eu usava guache ajustando a cor em cinco gradações, mas como é a base de água, demorava muito tempo para secar. A Copic trouxe eficiência para meu trabalho devido com seu Sistema de Cores e com a secagem rápida da tinta. Você nunca sabe quando sua melhor ideia vai surgir, e pondo no papel logo que ela surge posso documentar todos os pensamentos importantes.

Outro icônico trem projetado por Fukuda: o Sunrise Express, em operação no Japão desde 1998.
C: Alguma cor específica que você usa sempre?
TF: Eu gosto de usar a B23 ou B32. Com essas cores consigo estimar como elas vão ficar quando eu combinar determinada quantia, e naturalmente elas se tornaram as minhas preferidas. Ao contrário de acessórios e roupas, o que eu desenho não é afetado por tendências. Então, eu não uso muito cores vivas e fortes, sempre acabo escolhendo cores mais neutras como bege ou os cinzas Cool Gray. E caso eu precise usar vermelho, uso o R35.
As cores favoritas de Tetsuo Fukuda: B23 e a B32. Compre aqui
C: A maioria dos designers tem usado a Copic Classic ou Sketch para renderização, mas você usa a Copic Wide principalmente.

TF: Uso muito papéis maiores que A3, então a Copic Wide torna mais rápido o processo. Esse sketch (abaixo) foi feito principalmente com a Copic Wide. Se usar lateral da ponta posso traçar linhas finas também. Usei a Copic Classic nas partes pequenas, e também alguns lápis coloridos e pastéis para dar suavidade ao sketch.

C: Como você faz seus sketches? Você pode nos contar um pouco sobre o processo de criação?
TF: Começo com as sombras, que fazem o objeto parecer tridimensional, e depois trabalho no plano de fundo, considerando os reflexos do objeto. Preciso pensar em como são os reflexos da luz para deixar áreas em branco no desenho. Nesse sketch, fiz várias camadas com diferentes tons de azul para dar profundidade à cor. Esse é um processo de tentativa e erro para encontrar exatamente a cor que eu quero. É muito importante compreender e expressar precisamente as formas do objeto através do processo de criação.

C: O que você usa como referência para a criação de seus projetos?

 

TF: Normalmente meus projetos vêm de uma ideia. Vi esses dias uma imagem microscópica de escamas de um tubarão-martelo e percebi que se parece exatamente com uma carenagem dianteira de um carro de corrida. Eu fiquei surpreso como é uma forma racional e bem projetada para a função. As formas que encontramos na natureza me inspiram muito. Os sketches requerem racionalidade e lógica e nós devemos estar preparados para explicar o significado por trás da forma das coisas.
Uma imagem microscópica das escamas de um tubarão-martelo, e a comparação de Fukuda à função desempenhada em um carro de corrida. O Design revela o sentido das coisas.

C: Você aprendeu a usar os marcadores por conta própria?

 

TF: Sim. Eu tinha uns amigos mais velhos que usavam, mas não muito bem. Não haviam livros e nem cursos sobre eles, então era impossível eu aprender de outra forma que não fosse por conta própria. Nos anos 60 todos os anúncios de revistas sobre automóveis dos EUA tinham uma ilustração. Esses eram uma rica fonte de informação e eu queria estudar o desenho e as técnicas que eles usavam. Com esses anúncios aprendi como exagerar as formas, e os métodos para expressar reflexo e aspecto molhando nas rodas. Composição é o elemento básico do design. Além dos anúncios de revista dos EUA, o excitante Ukiyo-e (gravuras em madeira japonesa) de Hokusai, também serviram como referência muito útil para aprender sobre composição.

C: Mesmo nessa era digital, mostrar um esboço de uma suposta cena ou situação facilita a comunicação em uma reunião de negócios.

 

TF: Em uma reunião é muito importante converter a ideia em formas tangíveis, como os esboços. Dando opções em tempo real, você consegue dar detalhes sobre sua ideia com informações mais concretas. Não importa se a ferramenta for digital ou analógica, o desenho a mão tem sempre uma vantagem significativa.
“Fukuda demonstrou seu processo de desenho do sketch. É impressionante ver como ele traz para o papel uma figura visual que estava em sua cabeça sem qualquer hesitação. Ainda mais impressionante, ele desenha seu sketch de uma perspectiva oposta!”
Fukuda cria seus sketches de ponta cabeça, facilitando o entendimento por parte do observador. Nível Japônes!

C: Nossa! É muito inspirador ver a ideia que estava na sua cabeça tomar forma no papel…

 

TF: Quando eu desenho esse tipo de sketch, organizo minhas ideias com um senso de perspectiva. O que basicamente faço é adicionar a linha horizontal, a vertical e radial e continuar improvisando. Um sketch não tem que ser perfeito. O mais importante é que o desenho seja claramente compreendido. Você pode desenhar milhares de sketches legais com a ajuda de uma ferramenta digital, isso é comunicação. Mas eu prefiro converter as ideias em formas visuais em tempo real. Você nunca deve subestimar o poder da tinta. Os trabalhos feitos com tinta podem carregar mensagens poderosas. A vivacidade das cores, e a expressividade da combinação com o papel são muito atraentes.

C: 2017 é o ano do aniversário de 30 anos da Copic. Qual é a sua mensagem para a Copic?

 

TF: Eu espero que a Copic descubra ainda mais vantagens do seu produto. A Copic é um material artístico único com sua variedade de cor, transparência da tinta e resposta rápida. Não me surpreende que a Copic continue sendo popular depois de tanto tempo e seja amada por tantas pessoas. Eu desejo que a Copic tenha muitos mais anos de sucesso.

* Este post foi publicado originalmente pela Copic do Japão. Traduzido e reproduzido aqui com autorização.

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