Entrevista com Maurício de Sousa: Infância, Copic e Japão

Maurício de Sousa é o maior cartunista brasileiro, mas nem todo mundo conhece sua história ou sua forte relação com o Japão. Junto com a Copic, sua primeira parceria com uma marca japonesa, ele criou o Mônica Toy Set. Veja aqui nossa matéria contado um pouco mais sobre esse lançamento. Mas, para o post de hoje preparamos uma entrevista com Maurício de Sousa muito bacana para que vocês conheçam um pouco mais sobre sua vida, aspirações e desejos. Continue acompanhando até o fim e se encante com o criador da Turma da Mônica e outros tantos personagens que guardamos em nossos corações há mais de 50 anos.

Mauricio de Sousa com seus personagens principais da Turma da Mônica.

Entrevista com Maurício de Sousa: Infância

1. Você poderia nos contar sobre sua infância? Quando e como você começou a se interessar pelo desenho?

R- Eu já desenhava garatujas nos papéis que meu pai me dava junto aos lápis de cor. Tinha 3 anos, morava em São Paulo, quando a cidade era muito tranquila, o que permitiu que eu andasse sozinho pelas calçadas próximas de casa. Numa dessas caminhadas, vi uma revista no chão. Maltratada, sem capa, mas com uns desenhos que me chamaram a atenção. Eram quadrinhos, que eu nunca havia visto. Homenzinhos, animais, um supercoelho de capa e tudo. Levei a revista para casa e mostrei para minha mãe, que explicou que ali havia histórias em quadrinhos. Em seguida, ela leu algumas páginas para mim (A história era de um supercoelho chamado Joca Marvel, em cores. Fiquei fascinado!). Depois, pedi que ela lesse mais, ela leu e, a partir dali, lia todo dia mais um pouco.

Meu pai percebera meu interesse e trazia mais revistas em quadrinhos para casa. Sendo assim, minha mãe resolveu me ensinar a ler para poder voltar aos seus afazeres domésticos com mais liberdade. Aprendi a ler em 3 para 4 meses. E tentava copiar os desenhos e personagens que logicamente saiam bem rudimentares, mas devidamente coloridos pelos lápis de cor que meu pai tinha trazido pra mim.
Eu era muito pequeno, mas me lembro até hoje que, aos 4 anos, falava para meus pais que eu, quando crescesse, queria desenhar historinhas com bonequinhos.

Entrevista com Maurício de Sousa: Profissional

2. O que mais o influencia em sua criação?

R- O que eu vivo, sinto, aprendo. Principalmente com a observação que fazia dos meus amiguinhos de infância e das nossas peraltices. Depois, adulto, quando tive filhas e filhos, aprendi muito com eles. Além disso, alguns dos meus principais personagens foram inspirados nos filhos. Afinal, eu os observava e transferia o que via para os quadrinhos. Foi assim com a primeira filha, Mariangela, que ainda engatinhava e virou personagem. Depois veio a Mônica, meio enfezadinha e que não largava seu coelhinho. A Magali veio com muito apetite, adorando, principalmente, devorar melancias. Vieram mais filhos (dez ao todo).

Mais alguns inspiradores fora da família, temos no nosso estúdio um total de 400 personagens para viverem as histórias que nos vierem à cabeça. Sempre com cuidados no comportamento, nos bons costumes, na gramática… já temos mais de 60 anos com sucesso. Três gerações. Fico feliz com essa companhia alegre. Mas, mais feliz ainda quando minhas histórias servem para alfabetizar a criançada, como aconteceu comigo quando minha mãe me abriu os olhos para as benditas letrinhas que falam.

Mauricio de Sousa em sua produtora: Mauricio de Sousa Produções.

Maurício de Sousa e o Japão

3. Você tem uma ótima conexão com o Japão! Como você começou o relacionamento com o Japão? O que você mais gosta do Japão?

R- Passei minha infância numa cidade do interior – Mogi das Cruzes – que tinha uma numerosa comunidade de japoneses. Na escola, na minha classe, mais da metade dos meus coleguinhas era composta de nisseis. Sendo assim, fiz amizades que acompanharam fases da minha vida. Nós os visitávamos, e assim, eu provava as iguarias japonesas, brincava com a turminha de colegas nisseis, cantava suas melodias infantis. Dessa forma, mantive proximidade com os acontecimentos do Japão. Passei a admirar hábitos e costumes japoneses e a sonhar com o dia em que pudesse conhecer a terra do sol nascente.

Então, quando nosso estúdio começou a crescer, passei a planejar minha primeira viagem ao Japão, que aconteceu quando fechei um contrato com uma distribuidora de comics norte-americana – a Unitec Features Syndicate – que passou a oferecer meus desenhos para jornais de outros países. Primeiro, tirinhas de quadrinhos, e depois, páginas semanais em cores. Mas, a minha página semanal do coração foi a do personagem Horácio, um pequeno dinossauro de bom coração que foi escolhido e contratado por uma grande empresa japonesa: a Sanrio, que estava lançando a gatinha Hello Kitty num suplemento de larga distribuição. Foi minha entrada no Japão há pouco mais de 50 anos.

Uma desenhista do nosso estúdio, Alice Takeda, viajou para o Japão para me dar cobertura como arte-finalista, na produção do Horácio, durante algum tempo, desenhado no Japão.

Então, nos anos que se seguiram, viajei para o Japão diversas vezes e, em cada vez, visitava a Sanrio e revia com alegria seu presidente, Shintaro Tsuji, responsável pela minha entrada no Japão. Sr.Tsuji esteve até recentemente na presidência da Sanrio.

Mauricio de Sousa em sua produtora: Mauricio de Sousa Produções.

Amizade com Tezuka Osamu

Mas minhas relações com personalidades japonesas não cessaram. Isso porque, em uma viagem ao Japão, promovida pela Fundação Japão, de São Paulo, conheci e fiz amizade forte com o Deus, Tezuka Osamu, criador de alguns dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos (ou mangas) japoneses. Entre eles, Astro Boy, Leão Branco, A Princesa e o Cavaleiro…

No mesmo processo de intercâmbio cultural, a Fundação Japão convidou Tezuka Osamu para nos visitar no Brasil. Foi um encontro maravilhoso do famoso desenhista comigo e com inúmeros quadrinistas brasileiros. Nesses encontros, Tezuka e eu combinamos juntar nossos personagens em publicações que vivessem temas ligados à proteção ambiental da Amazônia. Assim, publicamos algumas revistas com esse propósito. Do lado brasileiro, entrou nessa aventura em crossover a Turma da Mônica Jovem. Mas, infelizmente, Tezuka faleceu e não continuamos o projeto. Penso agora na possibilidade de reativar a proposta ambiental depois do encontro que tive com o filho de Tezuka, Sr.Makoto.

E continuando nossa aproximação com o Japão, em 2019, abrimos nossa empresa em Tóquio, de onde pretendemos crescer para outros países asiáticos com atividade semelhante à que temos no Brasil.

4. Mônica Toy começou a transmitir no Japão este ano. Como você está se sentindo?

R- Com um sonho realizado. Afinal, duas grandes emissoras do Japão, dirigidas às crianças, exibindo desenhos animados é uma grande realização para qualquer desenhista no mundo. Logo, teremos nossos quadrinhos em japonês e já temos vários outros produtos sendo lançados no mercado japonês. Livros com histórias infantis já estão à venda. Faltam os quadrinhos… ou mangás da Turma da Mônica.

Entrevista com Maurício de Sousa: Copic

5 – Sobre a COPIC: Qual sua impressão sobre o marcador COPIC?

R- Para quem valoriza o desenho raiz, feito com lápis e caneta, só pode ser um grande acontecimento. Afinal, a qualidade dos produtos da COPIC, mundialmente reconhecida, é o instrumento ideal para novos artistas se prepararem, emergirem e prosseguirem na criação de novas artes, personagens e mensagens positivas e divertidas como as que trazemos ao nosso público há mais de 60 anos.

Além disso, falando em anos, lembro que mencionei a ajuda que me dava uma artista do nosso estúdio, Alice Takeda, que foi para o Japão me ajudar quando do lançamento do meu personagem Horácio pela Sanrio. Eu desenhava e ela fazia a arte-final. De altíssima qualidade… Conhecemo-nos melhor desde essa viagem … e estamos casados há mais de 50 anos, premiados com três filhos maravilhosos e mais um netinho fofo.

6. O que você acha do set do COPIC Monica Toy?

R- Quando a Copic nos enviou o catálogo e tínhamos que escolher apenas cinco cores entre dezenas, logo procurei minha esposa e diretora de arte da Mauricio de Sousa Produções, que trabalha com a nossa equipe de desenhistas e tem a visão deles sobre o uso de canetas. Então chegamos ao que achamos mais estimulante para as crianças e jovens que usarão as canetas. Assim, tenho certeza que acertamos na escolha e o set ficou lindo!

Fora isso, junto ao kit, há desenhos da Mônica Toy para serem pintados.

Mensagem para as crianças

7. Por fim, você tem alguma mensagem para crianças brasileiras / japonesas que gostariam de ser artistas como você?

R- Posso dizer que colocar as ideias na ponta da caneta é um prazer enorme e que desenhar é a grande realização da criança que vê suas criações sendo vistas por toda a família e seus amigos. Portanto, ser artista do desenho é ser feliz!

Sonhos

Desde criança eu sonhava com mundos diferentes, com muitas cores e sons diferentes… Eu sonhava em contar histórias! Histórias da minha vida, da minha gente, dos meus lugares, de todos os lugares, sem barreiras, sem fronteiras! e… tudo se realizou! Isso porque, essa criança sonhadora sempre esteve comigo, ela sempre existiu dentro de mim. Ela nunca me deixou sozinho, porque sonhar é bom, sonhar é preciso, agora mais do que nunca! Ora, se não existe… a gente inventa! A gente cria, a gente sonha. Então, siga seus sonhos, acredite nos seus sonhos, realize os seus sonhos!

Maurício de Souza

Gostou da entrevista com Maurício de Sousa?
Então, não se esqueça que o você encontra o kit Copic Ciao x Mônica Toy Set exclusivamente na loja oficial da Dezáina.
Kit Copic Ciao x Monica ToyBeijos e até a próxima!

 

 

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