Entrevista com Eisaku Kubonouchi

Fizemos uma entrevista com um grande fã dos marcadores da Copic, o artista japonês Eisaku Kubonouchi, para descobrir como ele começou a usar Copic, como ele combina outros materiais de arte, e suas crenças sobre desenho e ilustração.

Fizemos uma entrevista com um grande fã dos marcadores da Copic, o artista Eisaku Kubonouchi, para descobrir como ele começou a usar Copic, como ele combina outros materiais de arte, e suas crenças sobre desenho e ilustração.
 
Kubonouchi é um artista e ilustrador de mangá, nascido em Kochi, no Japão, famoso pelas séries de manga Tsurumoku Dokushin Ryo, Watanabe e Chocolat, que viraram filmes e programas de TV. Seu trabalho possui um estilo único, que atrai muita gente. Confira!

Copic: O que você usa como referência para o seu trabalho?
Kubonouchi: Vejo revistas para pegar ideias de poses e roupas para meus personagens nas ilustrações, mas eu nunca faço como estão lá. Estou sempre adicionando minha interpretação pessoal. Geralmente, exagero a pose do personagem para torná-las o mais adequada possível à situação. Mesmo que pareça forçado, esse tipo de ajuste é necessário às vezes.

C: Você não usa muitas técnicas de mistura e sombreamento de cores.
K: Quero fazer ilustrações realistas, mas se adiciono muitas sombras, elas acabam tão realistas quanto uma fotografia. Quero manter um tom que só a ilustração pode ter. Então prefiro dar volume ao meu trabalho adicionando apenas os brilhos – sem as sombras.

C: Algumas de suas ilustrações tem um fundo muito detalhado. Por outro lado, muitos de seus trabalhos tem apenas o retrato do personagem, sem fundo.
K: Adoraria se as pessoas olhassem meu trabalho e imaginassem sua própria história com os personagens, ou ainda pensassem nas coisas que possam existir fora dos limites do enquadramento do desenho. Eu não quero limitar essa possibilidade, por isso não dou muita importância ao fundo. Se houver muita informação em uma ilustração, ela se torna mais um gênero de mangá do que uma ilustração. Me importo mais com as dinâmicas das linhas. Ao suavizar partes do contorno de um personagem, dou um foco claro na parte que eu realmente quero mostrar.

C: Quando você começou a usar os marcadores Copic e o que motivou você a usá-los?
K: Costumava colorir os desenhos com pincel e tintas em tubo, mas tornou-se cansativo usar esse tipo de material. Há 20 anos atrás, eu descobri um novo material de arte chamado Copic, e decidi dar uma chance a ele.

C: O que você mais gosta nelas?
K: A rica variedade de cores e a versatilidade da ponta pincel. Eu sempre tenho 2 refis de cada cor caso elas acabem. Eu amo a ponta pincel da Sketch porque eu posso desenhar diferentes tipos de linhas ajustando o ângulo e a pressão da caneta.

C: Vejo que fez sua própria tabela de cores.
K: Sim, fiz minha própria tabela de cores para que eu não tenha que aplicar a cor toda hora para checar. Usei papel cartão comum mas, se fizer a sua tabela de cores, utilize seu papel favorito, adequado para as canetas.

C: Quais cores você usa frequentemente?
K: BV25 e T4 são ótimas para expressar o cabelo preto natural dos japoneses. Uso muito a cor E71 para o cabelo tingido de marrom das jovens. E gosto também de cores como RV52 e RV63 – para mim são cores fáceis de usar em qualquer desenho.

C: Por que você usa a R000 para tons de pele ao invés das cores da família E?
K: Na verdade eu até tentei usar as cores da família E, mas senti que o equilíbrio com as outras cores que uso não era muito bom. Uso lápis para desenhar linhas mais suaves e achei que as combinações com as cores E tornavam a cor da pele um pouco carregada. Prefiro usar a família R porque seu tom levemente avermelhado proporciona uma sensação de transparência. As vezes uso cores claras como BV0000 como cores de base também. A cor da pele é determinada pela iluminação naquele momento, então eu escolho a tonalidade mais apropriada para a situação.

C: E por que você escolhe o cinza da família T (Toner Gray), uma vez que há outras opções de cinza como a C, N e W?
K: Sei que os cinzas do grupo W são populares, mas eu não sou muito fã deles. Os cinzas T trazem um nível maior de realidade para o meu trabalho, e é isso que eu gosto neles.

“–Gênio, eu quero uma loja que venda Copic 24 horas por dia, e que fique a 5 minutos da minha casa!!”

C: Você desenha a linha apenas com lápis ou lapiseira e não usa tinta em tudo. Isso que torna seu trabalho único.
K: O lápis proporciona suavidade – e é isso que eu preciso. E sim, eu raramente uso a tinta. Muitas pessoas me dizem que as linhas feitas com o lápis irão manchar quando eu aplicar a Copic. Na verdade, isso não acontece se usar linhas suaves com lápis duros como os da escala F.

C: Quais tipos de papel você usa?
K: Eu tentei muitos tipos de papel, dos de alto nível até os mais baratos, mas eu terminei usando os papéis normais de copiadoras no fim das contas. Uma das coisas importantes para mim na escolha do papel é a textura. Cor não é um fator importante comparado à textura. Gosto dos papéis com superfície ligeiramente áspera. Mas você deve escolher o papel certo com base no trabalho que você vai desenvolver.

C: Você tem uma tonelada de lápis de cor. Quais são suas dicas para usá-los junto com Copic?  
K: Eu uso lápis coloridos quando tenho que fazer uma expressão mais sutil e detalhada, como aplicar maquiagem no rosto da menina ou adicionar brilhos. Também são muito úteis para esconder a desigualdade da cor ou algum erro. Eu costumava pensar que o lápis branco era a coisa mais inútil do mundo, mas agora é o meu favorito. Aplico-o levemente para corrigir qualquer diferença nas cores, fazendo-as menos visíveis. É um método demorado, mas muito eficaz.

Mensagem do Kubonouchi para vocês:
Quero que reconheçam que, em se tratando de arte, há sempre mais de uma resposta. Você trava quando fica preso a um única idea, como “Ah, TENHO que usar canetas para fazer as linhas” – mas a verdade é que não há uma regra para isso. Espero que tenha sensibilidade para pensar fora da caixinha quando for criar sua própria arte.

Para ver mais desenhos, siga o perfil do Kubonouchi-san no Instagram:
www.instagram.com/eisakusaku

* Este post foi publicado originalmente pela Copic do Japão. Traduzido e reproduzido aqui com autorização.

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