Entrevista com Bianca Mól – Garota Desdobrável

Carioca, 25 anos, e apaixonada por cinema e literatura, Bianca Mól, também conhecida por Garota Desdobrável nos revelou seus maiores sonhos, desejos e até segredos que guarda em suas centenas de personagens.

Carioca, 25 anos e apaixonada por cinema e literatura, Bianca Mól, também conhecida por Garota Desdobrável nos revelou seus maiores sonhos, desejos e até segredos que guarda em suas centenas de personagens.
Formada em Comunicação Social pela UFRJ, Bianca já compartilhou seu trabalho com milhares de brasileiros, mas poucos conhecem a sua história. Assim, nós da Dezáina, pedimos que ela contasse sua história através da sua própria fórmula: um vídeo escrito, narrado, ilustrado, fotografado e montado por ela, e em que a personagem principal também é ela! O nosso desafio foi atendido como vocês podem ver no vídeo abaixo. E ela complementa sua apresentação respondendo nossas perguntinhas curiosas para entender de onde vem tanta inspiração.
Esperamos que se encantem ainda mais com essa nova artista brasileira. Em seus versos, narração e ilustrações em seu novo vídeo especial para nós:
Com vocês, Bianca Mól
 
 
Gostou? Veja mais sobre a artista nessa entrevista exclusiva:
 
1) Bianca, assim como vimos em seu vídeo, sua paixão pela arte começou logo cedo. Como foi o seu início e suas inspirações na arte? Quando você soube que queria ser uma ilustradora?
 Desde muito novinha gosto de desenhar! Também adorava criar histórias. Desenhava pensando nas falas dos personagens, no que eles estavam fazendo, pensando, sonhando. Isso sempre me encantou, e acontece até hoje.
Eu adorava desenhar em qualquer cantinho. Podia ser em folha de papel branco, guardanapo, caderno pautado, rosto de boneca, palma da mão… Recordo-me que eu me sentia realizada de verdade nas aulas de redação da escola. A gente passava uma parte do tempo escrevendo e uma outra parte fazendo um desenho daquela história. Pra mim, era o melhor dos mundos!
Mesmo pequena, sonhava bastante. Tive incontáveis diários. Acho que, por ser tímida, guardava muito. Por ser quietinha, eu gosto bastante de observar, na minha, sabe?  E isso é algo que me inspira desde pequena. Tenho uma memória muito viva de quando tinha uns 5 anos, no pátio do colégio, olhando para o céu. Estava bem, bem azul mesmo, com algumas nuvens brancas. Bonito demais. E, pra mim, aquilo parecia tanto uma pintura, que nunca saiu da minha cabeça. O céu, fosse de dia, fosse de noite, sempre me inspirou. Assim como o mar.
Eu sempre soube que amava desenhar. Pela infância e pela adolescência, viajei por vários estilos. Lembro-me claramente da fase mangá e da fase dos croquis de moda. No entanto, quando entrei para a universidade de Comunicação e comecei a trabalhar, deixei tudo isso de lado. Só depois de quase cinco anos que me redescobri na arte de ser ilustradora, puxando um pouquinho de cada fase pela qual passei.
Detalhes dos pequenos traços de cada desenho.
 
2) Qual foi o seu primeiro trabalho? Como foi executá-lo?
 O meu primeiro trabalho audiovisual com ilustração, pelo Garota Desdobrável, é um vídeo chamado “Madrugadas de aquarela”. Nele, eu apenas faço um desenho e me registro em vídeo. Eu resisti bastante até tomar coragem para fazer.
 Há tempos escrevia crônicas em blogs, mas queria muito ter algo transformado em vídeo. Minha mãe insistia demais que eu me filmasse, mas (naturalmente) eu morria de vergonha. No final das contas, eu gostei do material que captei. Minha mãe (sempre ela) insistiu que eu narrasse algum dos meus textos, para contar uma história. Imagina só? Aí que eu resisti mais ainda. Tinha certeza que ficaria esquisito.
 …Mas deu certo! 🙂 Com o passar do tempo, consegui desenvolver uma linguagem própria, que chamo de “animação artesanal”, e não consigo me ver fazendo algo diferente.
 
3) Como funciona seu processo criativo? Ou seja, como que surge um projeto novo e quais são as etapas que você faz? Demora muito tempo? Você tem algum ritual?
 Antes de tudo, eu dou muito valor às ideias. Gosto de andar com um caderninho e, se não tiver um por perto (que crime!), anoto no celular ou no bloco de notas do computador. Por vezes são palavras-chave, cenas que vi na rua, versos próprios, algo que tenha sonhado, um trecho de uma canção. Depois, tem a escrita do roteiro. Aí vem a produção das ilustrações, as filmagens, a gravação da narração, a montagem, a correção de cor, a mixagem… Eu realizo cada etapa, pois esse universo todo do audiovisual me fascina. É uma arte subjetiva, então gosto de dar um toque pessoal a cada parte do processo.
Quanto ao tempo que levo para produzir, isso depende muito. No começo, os vídeos que eu produzia eram bem simples. Depois, as ideias foram aumentando, ficando mais ambiciosas (doidinhas mesmo!) e bem mais trabalhosas. Criar todos os personagens e cenários à mão é algo que me exige bastante dedicação – e eu amo fazer isso.
Não tenho nenhum ritual que seja curioso. Para começar a produção de uma nova arte, eu gosto de arrumar bem o meu lugar de trabalho. Todas as tesouras num canto, os estiletes em outro, os lápis num potinho, as canetas em outro… Ao término, está sempre o caos. Mas faz parte! Preciso me organizar para sentir que começa um novo ciclo, um novo projeto, uma nova história para mergulhar. 🙂
Além disso, gosto muito de entrar no clima da história para criar. Por isso, valorizo bastante a escolha da trilha sonora. Se o tema é fantasia, ouço incansavelmente música clássica. Se há brasilidade, vou com cantores brasileiros que me inspirem na poesia. E assim por diante. 🙂
 
4) Como funciona a sua rotina em meio aos trabalhos? Como você gerencia tudo?
Não é fácil! Eu concilio meu projeto artístico Garota Desdobrável com meu trabalho em uma produtora, onde sou roteirista, trabalho com redes sociais e faço algumas animações artesanais. Unir tudo dá trabalho e demanda bastante tempo, mas com muitas listinhas e (muitos) post-its a gente dá um jeito!
 
5) Quais são seus artistas e inspirações do momento? Onde procura suas inspirações?
Em geral, admiro bastante temáticas de realismo fantástico. Sou fã da obra do Gabriel Garcia Márquez, por exemplo. Diretores de cinema que prezam pela Direção de Arte, como Wes Anderson, Tim Burton e Jean-Pierre Jeunet me encantam demais, sempre! Também gosto bastante das animações do Hayao Miyazaki, por conta de seu estilo e das mensagens tão bonitas que costuma passar. Também tenho como um de meus artistas prediletos o holandês M.C. Escher e suas construções impossíveis, com aquele ar onírico… Gosto muito!
 
6) Como você encontrou o seu próprio estilo de criação?
Quando pequenininha, adorava histórias de princesa. Ainda cedo me apaixonei por animes e mangás. Pouco tempo depois, pra mim, veio a estética de quadrinhos e super-heróis. Aí veio uma fase em que gostava de um estilo mais “sombrio”, como dos filmes do Tim Burton. Na adolescência, tinha certeza que estudaria moda e jornalismo, para ser estilista e correspondente de guerra (na minha cabeça de 16 anos isso fazia sentido de verdade). Por quase três anos desenhei croquis e modelos, num estilo bem “de revista”, posando com roupas que imaginava. Depois do meu hiato, de alguma forma tudo veio junto e me ajudou a criar um traço próprio.
Como me dediquei bastante às aulas de Roteiro na universidade, tinha esse viés do cinema, de querer contar histórias de um jeito audiovisual.
Os recortes, as animações em stop motion e as demais técnicas que utilizo surgiram mesmo de forma experimental, que se adequassem às histórias que gostaria de contar. Que tivessem bem essa estética de “feito à mão”. 
Finalizando um personagem para completar a história. A delicadeza e paciência são fundamentais.
 
7) Qual a importância dos materiais para a elaboração de seus projetos?
Eu acredito e levanto a bandeira da simplicidade. Sempre. Cada um pode (e deve) criar com o que tem. Isso é sempre uma forma de exercitar a criatividade, e muitas vezes é assim que surge uma ideia nova.
Mas é impossível negar: sou apaixonada por materiais de papelaria. Adoro testar canetas, estiletes, lápis, tesouras, papéis, aquarelas… Gosto de experimentar algo novo, mas não troco por nada aquilo que já sei que funciona comigo. Tenho duas ou três tesouras favoritas, um estilete de precisão que é meu melhor amigo, uma borracha que não faz tanta sujeira… E minhas Copics!

 
Cantinho da bagunça dos materiais. Cores e mais cores!
 
8) Qual foi o seu projeto mais desafiador?
 Certamente foram os vídeos que fiz para o Globoesporte.com e para o Esporte Espetacular, durante as Olimpíadas. Eram inúmeros vídeos, sobre diversas modalidades esportivas. Foram milhares (sem exagero!) de personagens desenhados, cenários, planos filmados… Centenas de dias e incontáveis madrugadas viradas para produzir tudo, num trabalho ao longo de, em média, um ano e meio. Valeu a pena cada segundo, pois ver algo que surgiu como um hobby parar na televisão é quase que inacreditável. Eu passo a maior parte do tempo trabalhando sozinha no meu quarto/ateliê, em casa. Ver as minhas criações, que faço com tanto carinho, viajarem por outros lugares pra lá de distantes… É como um sonho. (Você pode  assistir aqui)
 
Foto de um trecho do vídeo  “Time dos Sonhos”. Filme produzido em homenagem ao acidente do time Associação Chapecoense de Futebol, reproduzido no SporTv.
 
9) De onde veio a inspiração de seu projeto “Garota Desdobrável”? Como o criou?
 O Garota Desdobrável começou como um blog em que eu escrevia sobre assuntos variados. Tinha de tudo: crônicas, devaneios, opinião sobre séries, filmes, enfim: um espacinho bem meu, com textos sobre assuntos diferentes. Até que, depois de um período longo sem desenhar, bateu uma saudade de lápis de cor, pincel, cheirinho de papel.. E resolvi me arriscar. A paixão voltou com tudo!
Depois de um mês desenhando quase todo dia, resolvi me filmar. A partir daí, descobri, finalmente, uma forma de aliar desenho, poesia, fotografia, cinema… Tudo que sempre gostei, mas não sabia como unir. Daí pra frente, percebi que o que realmente me motivava era criar histórias para o meio audiovisual. O blog virou, enfim, um canal. Hoje, depois de três anos, o Garota Desdobrável atua também nos universos literário, publicitário e até musical. Algo impensável no comecinho.
Desde o primeiro vídeo até o mais recente, aprendi muito. E esse aprendizado foi na frente de todo mundo, na marra: a cada história, descobria uma técnica nova, uma maneira diferente de criar um ambiente fantástico, qual é o meu traço, e mesmo o estilo de história que gosto de contar. É um longo processo, pelo qual me apaixono todos os dias. 🙂
 
Pequenos no tamanho, mas grandes nas histórias. Personagens que dão vida as aventuras de Bianca.
 
10) Quais são seus planos para o futuro?
 O meu maior sonho é realizar um longa-metragem. Gostaria, também, de publicar mais livros, mas isso um pouquinho mais pra frente. Quero abrir uma loja, desenvolver uma série para web e levar os vídeos do projeto Garota Desdobrável para o mundo. Seria bacana, né? 🙂
 
Os detalhes de cada personagem. Inúmeras formas e expressões.
 
11) Que dicas e conselhos você daria para os novos ilustradores que nos acompanha?
É importante treinar sempre! Praticar, buscar referências, ver o que acontece ao seu redor. A vida sempre traz inspiração. Às vezes a gente se sente perdido, é verdade. Mas, com dedicação, cada um encontra o seu traço, o seu jeito de contar histórias, a sua forma de fazer arte. Isso é único. Pra mim, esse é o jeito que encontrei para me expressar. Todo mundo tem o seu, e isso se desdobra na gente com o tempo. 
Bianca Mól, a nossa Garota Desdobrável.
 
Gostaram?
Gostariamos de agradecer em especial a Bianca, por nos disponibilizar tempo e dedicação. Tanto com o vídeo, como com a entrevista.
Encontre mais de seu trabalho em seu site e em sua página no Facebook
 Um beijo e até a próxima!
 

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