Direitos autorais: Moshik Nadav x Joy: o nome do sucesso (será?)

Já falamos diversas vezes aqui no blog sobre direitos autorais e plágio, mostrando a importância de respeitar as criações de outros artistas. Ainda que pareçam valores óbvios para artistas e criadores, os direitos autorais e propriedade intelectual (ou industrial) ainda são temas pouco discutidos e conhecidos por grande parte das pessoas. No entanto, isso ainda chega a grandes empresas, e parece que quando isso acontece, elas se aproveitam de toda essa desinformação.

No post de hoje a Emmy vai contar um caso de uso indevido de propriedade intelectual por parte de uma grande empresa. Por mais que isso seja muito recorrente, o que realmente chocou foi a pessoa envolvida na situação.

A inventora Joy Mangano criou diversas utilidades domésticas realmente inovadoras e inclusive foi feito um filme sobre sua história. Ele tem como foco principal as dificuldades para conseguir lançar sua primeira invenção e sua luta contra aqueles que tentaram roubar sua patente.

Direitos autorais
Hartn.me: “Joy Mangano e uma de suas invenções, com excelente trabalho de marketing. Porém, utilizando um logo pelo qual sua empresa não pagou.”

Pois bem! Há algum tempo, a Emmy viu um anúncio no Instagram:

Direitos autorais Joy
Hartn.me: Publicação no Instagram de Moshik Nadav

Tipografia roubada de Moshik Nadav

Moshik Nadav é um designer de fontes de origem israelense que trabalha atualmente em Nova York. Além de elegantes, suas tipografias são caracterizadas por serem personalizadas, com fontes seriadas e voltadas principalmente para moda e artigos de luxo. O trabalho é incrível e também muito complexo. Olha só:

https://www.instagram.com/p/BcSkHRogB8h/?utm_source=ig_embed

Bom… a gente sabe que a identidade visual de uma marca é extremamente importante. Inclusive, a criação do logo é um dos trabalhos mais caros do design gráfico devido à complexidade da pesquisa, tempo dedicado e responsabilidade de criação.

Então, o que aconteceu (de maneira resumida) foi: a equipe criativa de Joy Mangano comprou a família de fontes Paris Pro de Moshik Nadav com uma licença não-comercial e a utilizou como logo. Ou seja, o criador do logo foi o designer da tipografia. No entanto, Joy Mangano se recusa a aceitar esse fato usando como parte de sua identidade visual a criação de outra pessoa. Assim, além de faturar milhões com esse projeto, ela não pagou o preço justo por seu desenvolvimento.

Direitos autorais: entendendo a história

Moshik, o designer, soube o que aconteceu ainda no ano de 2016, sendo que foi em 2015 que a equipe de Joy comprou a licença não-comercial da família de fontes Paris Pro. Por ser mais barata, ela restringe o uso da tipografia em materiais de design, ou seja, materiais gráficos que não sejam logotipos, embalagens ou produções em grande escala.

Quando os advogados de Moshik contataram a equipe de Joy, eles negaram ter usado a família de fontes na criação do logo. Além disso, ao longo do processo eles ainda tentaram alegar que diversas outras fontes se pareciam com a Paris Pro e que a semelhança seria apenas uma coincidência.

Paris Pro
Hartn.me: “A ligação original entre J e O da fonte Paris Pro, em comparação ao logo de Joy Mangano. no qual a similaridade ela alega ser apenas coincidência.”

Depois, a equipe de design decidiu que poderia pagar um valor pelo uso comercial das fontes (antes afirmaram que não tinham usado, mas agora decidiram pagar?). No entanto, o valor era extremamente baixo e, obviamente, Moshik não aceitou. Depois de muito tempo, quando conseguiu contatar a própria Joy, tudo o que conseguiu foram ameaças de seus advogados para que ele nunca mais tentasse contatá-la.

Bom, os absurdos continuam… Moshik conseguiu levar o caso ao tribunal de Nova York, onde ambas as partes tiveram que explicar todo o processo de criação. Mas depois de alguns dias o caso foi arquivado. Isso porque, segundo o juiz, Moshik não possui o direito autoral sobre a fonte (oi???). Se decidisse continuar recorrendo no tribunal os custos seriam extremamente altos, além de ser um caso que ele não conseguiria resolver em no mínimo 5 anos.

A última cartada

Então, em uma última tentativa de receber o pagamento adequado pelo seu trabalho, Moshik contatou os advogados de Joy pedindo um acordo. Mas, como resposta, recebeu uma última ameaça de processo (e como ele perderia) se a história viesse a público.

E por isso, ele decidiu então contar para o mundo a diferença entre a Joy Mangano interpretada no filme e sua não tão admirável versão da vida real. A Emmy até trocou alguns e-mails com ele, e olha só o que ele disse:

Desde então, eu não ouvi nada de mais ninguém; Joy continua fazendo milhões usando meu design. Ela se recusa a pagar e acha que eu vou esquecer. Mas isso não vai acontecer. Hoje sou eu, amanhã é outra pessoa, e não vou deixar que aconteça. Então, estou lutando contra ela usando as redes sociais até que ela entenda seu erro, peça desculpas e pague pelo uso comercial.

Depois de publicar a história, a comunidade de design juntou forças e diversas pessoas começaram a comentar nos perfis de Joy Mangano nas redes sociais. Um espaço que tinha apenas alguns comentários por dia, depois disso tem muito mais engajamento – mas não da maneira que Joy gostaria.

Direitos autorais: licença de uso e a moralidade

Você deve ter se perguntado ao longo desse post “se a equipe de Joy comprou a fonte ela não pode fazer o que quiser?” Legalmente não. Seria a mesma situação se alguém comprasse uma foto ou print de um desenho seu, digitalizasse e começasse a vender camisetas com ele. Ou ainda, uma empresa comprar sua arte por 300,00 e achar que tem o direito de estampar todas as embalagens.

Quando adquirimos um produto digital, com ele vem um arquivo de texto chamado Licença de Uso. Nele está bem claro o que você pode ou não fazer com determinado produto. Um dos mais comuns é “pode usar, mas não revender”.

Agora, muitos acreditam que por não ter como controlar, podem fazer o que quiser. Realmente, você pode fazer isso visto que ninguém está te impedindo fisicamente. Mas, ao mesmo tempo que é um ato ilegal, também é imoral.

O problema é que Joy Mangano se esqueceu de que ela mesma já passou por essa situação e como foi difícil a luta para recuperar sua criação. Agora ela está fazendo a mesma coisa com outra pessoa. Isso é realmente muito triste.

Portanto, ainda que você não seja expert no assunto sobre direitos autorais, não custa nada tentar entender um pouco mais a fundo o assunto, além de obviamente se colocar no lugar do outro, certo?

Vamos deixar aqui embaixo mais alguns posts para te ajudar:

Se gostou do post de hoje conte pra gente nos comentários, além de dar sugestões do que mais gostaria de ver por aqui.

Até a próxima!

 

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